segunda-feira, 5 de março de 2012

Pensão Amor

fonte: http://www.artbuilding.eu/
Lisboa.
Ali para os lados do Cais do Sodré. 

A rua é a do Alecrim que, a subir, vai dar ao Chiado. 
Se a subirem, logo à esquerda encontram um prédio com vedação e portão em ferro. Se estiver uma multidão à porta, estão no sítio certo. Se for caso disso, é provável que não vos deixem entrar por essa porta. Sem stress. Arrepiem caminho, desçam até ao início da rua e entrem pela entrada de baixo, na rua Nova do Carvalho. É, provavelmente, o melhor que têm a fazer logo de início. Identifica-se bem a entrada. É a que tiver a maior fila para entrar. 
Aconselho-vos a chegar cedo (23h costuma ser boa hora), senão arriscam-se a ficar uma eternidade à espera. 

Pausa para reflexão: do Amor, que tudo quer, tudo consome, " já muito se disse", é verdade. É, no entanto, impossível descrevê-lo com precisão. Recordo um artigo que escrevi em tempos. Adequa-se a este tema. Daquele dia para hoje, pouco se avançou em conhecimento científico neste campo. E será porque há poucos cientistas debruçados sobre o assunto? Não me parece. Deve ser mesmo difícil porque, neste caso, cientistas somos todos. O nosso laboratório é o mundo inteiro e as provetas são os nossos corações que enchemos de Amor e deixamos a incubar para ver o que acontece. Mas... neste ensaio não há como controlar as variáveis... pois não? Então, como retirar conclusões? Fica a pergunta para todos quantos tiverem coragem para escrever da vossa experiência, a dissertação da vossa vida. 

De volta, então, ao artigo principal: estávamos na entrada, certo? Se conseguirem, de facto, entrar, já se podem considerar sortudos. 

Desde que a "Pensão" re-abriu portas, em Novembro de 2011, pela mão dos mentores da LX Factory, que tem sido um frenesim de visitantes que querem fazer parte deste projecto de remodelação, denominado de "camada de intervenção", no qual foram descobertos elementos e pinturas dos vários momentos que o edifício foi vivendo ao longo da sua vida. 

Os artistas responsáveis pela extraordinária renovação da pensão são Hugo "Makarov" Martins (ossoscruzados.blogspot.com) e Mário Belém (www.mariobelem.com) que optaram por recriar antigos posters de espectáculos burlescos e peep-shows, com exuberantes pin-ups ao longo da escadaria de cinco andares. 

Esta pensão era um antro libidinoso da Lisboa do século XVIII; hoje, desses prazeres mundanos não há cardápio, mas podem desfrutar de um ambiente intenso e original. Para além de uma sala decorada ao estilo burlesco, podem acomodar-se numa sala com um varão de strip, que está rodeada por uma sex shop e uma livraria erótica, sucursal da Ler Devagar. 

Embutida entre estas duas, encontram uma sala ampla, espelhada, com palco para espectáculos e um pequeno bar. 

O resto da experiência é subir até ao último andar e apreciar as pinturas. O trabalho é impressionante e... de deixar água na boca????? Se forem de noite, vão encontrar sucessivamente portas fechadas. Creio que, durante o dia, poderão aproveitar outras ofertas de artistas e pessoas com projectos que utilizam aquele espaço para os mostrar. Tanto quanto eu sei, há pelo menos uma loja de origami... 

Depois de ter feito as delícias dos marinheiros que aqui vinham procurar amor, cafunés e sexo de prostitutas caseiras, faz as delícias dos jovens de hoje, ainda que o ramo de actividade seja bem diferente. 

Poderão gostar ou não, mas com certeza que vão considerar uma experiência obrigatória na noite lisboeta. 

Para mim, tem um senão: a música era péssima quando lá fui. Vejam lá isso senhores. 

Com Amor,
BM

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